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Bárbara Távora | Ilustração | Curadoria

Bárbara Távora é freelancer na área de Ilustração e está a acabar a licenciatura, procura atingir o seu ‘próprio universo, sem qualquer tipo de restrições ou regras’. Destaca as cores, traço, espontaneidade e criatividade. Prende, então, a atenção do público por ter um trabalho com estilo próprio e por fazê-lo através do método tradicional, com papel e caneta.

 

 

Interview a Bárbara Távora

 

H1: De onde és? Quantos anos tens?

H2: Sou de Lisboa e tenho 21 anos.

 

H1: Qual é a tua formação?

H2: Estudei Design Gráfico na António Arroio e de momento estou a terminar a licenciatura em Artes Plásticas na Escola Superior de Artes e Design, nas Caldas da Rainha.

 

H1: Qual é que foi a experiências mais marcante no processo de te tornares quem és agora?

H2: Perceber quem sou e a maneira como isso se reflete no que faço e na maneira como o faço.

 

H1: Onde é que se situa o teu trabalho agora? Associada a algum projeto ou empresa…

H2: De momento dei início a um projeto pessoal, que passa pela criação de t-shirts com ilustrações minhas, para mais tarde vender.

 

H1: Consideras o teu trabalho altruísta?

H2: Acho que pode ser, mas, pelo menos no meu caso, faço as coisas para agradar a mim mesma e não aos outros. Se um trabalho tiver força suficiente para o fazer, tanto melhor, mas acho que não se deve começar por aí.

 

H1: De onde nasceu o teu gosto pela ilustração?

H2: Acho que dos desenhos animados e livros que via e lia em criança, que são ainda hoje uma grande influência.

 

H1: O que te faz feliz e o que te faz triste?

H2: O sol, música, desenhar, os meus amigos, a minha cadela. O medo de no futuro ter que optar por um trabalho que não esteja relacionado com o que eu mais gosto de fazer.

 

H1: Quais é que são os teus passatempos?

H2: Desenhar e ouvir música, principalmente.

 

H1: Qual é a atração da ilustração para ti?

H2: Além de ser uma coisa que está presente na minha vida desde muito cedo, o que me atrai é a maneira como posso criar o meu próprio universo, sem qualquer tipo de restrições ou regras, a liberdade que tenho para dar vida a coisas que na realidade nunca poderiam existir.

 

H1: Qual a tua opinião sobre arte tradicional e arte digital? quanto ao Illustrator. Qual é que preferes?

H2: Não sou grande fã nem grande especialista em computadores, pelo que prefiro fazer as coisas da maneira mais “tradicional”. Claro que dependendo do tipo de trabalho que estou a fazer, há situações em que tenho de recorrer ao digital.

 

H1: Tens meios onde consegues divulgar os teus trabalhos? Quais são?

H2: Sim… Divulgo principalmente através do instagram, penso que é assim que tenho mais exposição e visibilidade e que chego mais facilmente às pessoas e a outros artistas.

 

H1: Que tipo de meios usas para produzir os teus trabalhos?

H2: Depende muito, normalmente quando me surge uma ideia uso o que tenho à mão para a ideia não me escapar. Mas normalmente canetas de cores ou tinta acrílica com caneta preta.

 

H1: O porquê da simplicidade gráfica?

H2: Gosto mais da parte do desenho. Apesar de ter estudado Design Gráfico, não acho que seja uma ferramenta essencial para o meu trabalho.

 

H1: Quando estás no processo de criar uma ilustração de que maneira é que estás a pensar no produto final?

H2: Acho que quando inicio este processo, vai surgindo automaticamente e intuitivamente um caminho por onde vou, que vai determinar o produto final. Nunca começo com uma ideia definida de como quero que seja o estado final das minhas ilustrações.

 

H1: O que é importante? o sentimento, a mensagem, a história, a ligação, ligação com o público

H2: Acho que um conjunto de todas essas coisas.

 

H1: Como é que captas a essência das tuas ideias criativas?

H2: As minhas ideias têm várias influências, que passam desde memórias, conjuntos de cores, desenhos animados que via (e vejo!), por sonhos que tenho, por influências de outros artistas, mas, principalmente, vêm dos momentos em que vagueio pela minha imaginação e em que crio na minha cabeça cenários/personagens que mais tarde passo para o desenho.

 

H1: Onde deixas a tua marca, o teu toque pessoal?

H2: Sinto que ao longo dos anos fui criando a minha imagem pessoal, que passa tanto pelos elementos que incluo nas minhas ilustrações como pelo próprio traço.

 

H1: Quanto tempo por dia/semana passas a desenhar?

H2: Varia muito. Depende de como me estiver a sentir, tanto posso passar horas e horas a desenhar como passar uma semana sem pegar no diário gráfico.

 

H1: Qual é que consideras ser o teu melhor trabalho?

H2: Talvez uma tábua de skate que fiz para uma exposição do Caldas Late Night, um evento que ocorre anualmente nas Caldas da Rainha em que os estudantes abrem as suas casas para darem a conhecer o seu trabalho e o de outros artistas. Atribuo-lhe essa importância não tanto pelo trabalho em si, mas por todo o evento que me motivou a fazê-lo.

 

H1: Qual foi a tua pior e a melhor experiência nesta área de trabalho, a ilustração?

H2: A melhor experiência será sempre o momento em que me apercebo de que as pessoas gostam de facto do meu trabalho e que a maneira como me sinto feliz a fazê-lo. E a pior será sempre perceber que este meio é muito competitivo e que não é fácil fazer vida da ilustração, até porque há muita gente a fazer o que eu faço.

 

H1: Como é que lidas com as críticas tanto positivas como negativas ao teu trabalho?

H2: As críticas positivas são o que me motiva a continuar..as negativas claro que podem ser desmotivadoras mas há que procurar nelas algo que me faça melhorar e não deixar que me deitem abaixo.

 

H1: Preferes trabalhar para uma agência ou ser freelancer? Quais as vantagens e desvantagens?

H2: Depende da agência, mas acho que em princípio preferia trabalhar como freelancer. Claro que é muito mais estável em termos de trabalho trabalhar para uma agência, mas sinto que é algo que poderia “cortar-me as asas” e restringir-me por estar a trabalhar para outra pessoa e não para mim própria, pelo que preferia fazer as coisas à minha maneira, sem a pressão que envolve trabalhar e agradar um cliente que pode muitas vezes ter ideias diferentes das nossas.

 

H1: Futuramente, o que planeias fazer com o teu trabalho?

H2: Futuramente planeio dedicar-me mais à animação, porque sinto que é a próxima fase do que tenho feito até agora.

 

H1: Imperfeição ou perfeição?

H2: Imperfeição. O conceito de perfeição não existe, é inatingível. E quem acha o contrário não tem muito mais porque se esforçar…

 

H1: De que maneira é que o teu trabalho influencia quem és?

H2: Acho que é mais ao contrário..A maneira como sou influência e está muito presente e ligada ao meu trabalho. Acho que qualquer pessoa que me conheça minimamente bem consegue perceber esta afirmação.

 

H1: Ilustradores favoritos e trabalhos favoritos. Maiores influências.

H2: Steven Harrington, Killer Acid, Pollynor, Michelle Wanhalla, Pablo Dalas, Evan McCohen, Ermsy, Jesse Jacobs, Pedro Zamith, por exemplo.

Se estivessem na cabeça de Bárbara Távora seria
'Um pouco como ver um episódio de um desenho animado.'

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